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terça-feira, 22 de janeiro de 2013

0 Ciúme excessivo pode gerar fantasias para justificar atos violentos

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O ciúme pode ter sido a principal motivação para o crime ocorrido no último sábado (21) pelo jovem Diego Gualberto, 18 anos, que matou a tiros o seu cunhado Ytalo Santos, também de 18 anos, enquanto ele dormia. Diego não aceitava a relação de afeto entre a namorada Yslainne Santos, 16, e o irmão Ytalo.

Além de ter ciúmes do irmão, Diego proibia a namorada de ver os amigos e de frequentar a escola. Para o psicólogo e psicoterapeuta Rubens Melo, reações como essas são motivadas pela insegurança. "Não existe ciúme doentio ou saudável. É um sentimento geralmente motivado pela insegurança e pode, inclusive, provocar transtornos. Quem sofre de ciúme acaba criando situações fantasiosas e pode chegar a cometer atos violentos", afirma o psicólogo.

Rubens Melo explica que essas situações fantasiosas são criadas para justificar o comportamento errado. Segundo familiares da vítima, Diego acusava o cunhado de haver violentado a irmã e por isso tinha ciúmes. "Não sabemos se isso é verdade, cabe à polícia investigar. Mas não pode ser descartada a possibilidade de um fato fantasioso, criado por um jovem que sofre transtornos", disse.

De acordo com o psicólogo, o ciúme não tem idade, porém possui focos distintos. Na fase adulta, o ciúme está muito ligado à questão da sobrevivência. Na adolescência, possui uma relação direta com a identidade. Ele disse ainda que os primeiros sintomas podem ser identificados ainda na infância. "Os pais devem prestar atenção se a criança apresenta uma insegurança excessiva, como dificuldade para se desfazer dos brinquedos ou para escolher a roupa que vai vestir, ou ainda medo de que a mãe o abandone quando decide sair de casa e deixá-lo com alguém".

Rubens Melo, que é fundador em Pernambuco do Grupo Mada (Mulheres que Amam Demais), disse ainda que é bem mais difícil para os homens assumirem que sofrem de ciúme obsessivo. "Há dois anos pensamos em criar um grupo com homens, sem sucesso. A maioria dos homens chega até a falar de sua dificuldade, mas, no momento de assumir que precisa de um tratamento, por vergonha ou machismo, acaba desistindo". (NE10)

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